
Todo corpo que se lança no mundo precisa de um ponto de partida, a convergência tempo-espaço, contexto, lugar, território. Quando comecei a produzir imagens, sentia a necessidade de ir de encontro aos acontecimentos do cotidiano. O movimento das ruas, os atravessamentos da cidade, os cruzamentos das linhas que formam a trama têxtil do existir. Este trabalho é sobre densidade de existência, registrando meu bairro, as ruas, meus amigos e familiares, deixando o meu olhar mais próximo ao corpo-território que me cerca, e que transforma-se a partir desses.
O encontro dessas fotografias é uma documentação do meu ponto de partida no mundo, e a forma como o território me atravessa. Nas epistemologias latino-americanas decoloniais o conceito amplamente discutido “corpo-território” dispõem a pensar o corpo e suas subjetividades e dimensões sociopolíticas. Proponho neste trabalho a fotografia como possibilidade de construção poética do “corpo-território” que vivencio e atravesso.
Nos dados institucionais de controle sociodemográfico, o Mucuripe registra um dos mais altos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) da Cidade de Fortaleza, historicamente, marcado por uma cultura tradicional indígena, as transformações socioespaciais das últimas décadas modificou a paisagem local, principalmente, com a construção do Porto do Mucuripe. As múltiplas revitalizações desse território é um processo intrínseco ao plano nacional de gentrificação das cidades brasileiras. A expropriação violenta e precoce de vilas, conjuntos, comunidades para viabilizar o projeto eugênico capitalista de nação.


















